Mike
McClellan
Antes de entrarmos no estudo deste
artigo, é importante salientar que o seu autor não é cristão, sendo
assim seu comentário é isento de idéias preconcebidas, tanto a favor
como contra a Doutrina da trindade.
As origens da doutrina da Santíssima
trindade são chocantes. Como no caso da maioria das questões históricas
relativas à cristandade, houve muita fraude e derramamento de sangue.
Muitas vidas foram perdidas antes que o Trinitarianismo fosse enfim
adotado. Como muitos cristãos sabem, a palavra “trindade” não aparece na
Bíblia. E não aparece porque é uma doutrina que evoluiu aos poucos no
início do cristianismo. Foi um processo manipulado, sangrento e mortal
até que finalmente se tornou uma doutrina “aceita” da Igreja.
11.1 – Constantino – Oficialização
da Doutrina da trindade
Flavius Valerius Constantius (c.
285-337 AD), Constantino o Grande, era filho do imperador Constâncio I.
Quando seu pai morreu em 306 AD, Constantino tornou-se imperador da
Bretanha, Gália (atual França) e Espanha. Aos poucos, foi assumindo o
controle de todo o império romano. Divergências teológicas relativas a
Jesus Cristo começaram a se manifestar no império de Constantino quando
dois oponentes principais se destacaram dos outros e discutiram sobre se
Cristo era um ser criado (doutrina de Arius) ou não criado, e sim igual
e eterno como Deus seu pai (doutrina de Atanásio).
A guerra teológica entre os adeptos
de Arius e Atanásio tornou-se acirrada. Constantino percebeu que seu
império estava sendo ameaçado por esta divisão doutrinal. Constantino
começou a pressionar a Igreja para que as partes chegassem a um acordo
antes que a unidade de seu império ficasse ameaçada. Finalmente, o
imperador convocou um concílio em Nicéia, em 325 AD, para resolver a
disputa.
Apenas 318 bispos compareceram, o que
equivalia a apenas uns 18% de todos os bispos do império. Dos 318,
apenas uns 10% eram da parte ocidental do império de Constantino,
tornando a votação tendenciosa, no mínimo. O imperador manipulou,
pressionou e ameaçou o concílio para garantir que votariam no que ele
acreditava, não em algum consenso a que os bispos chegassem.
As igrejas cristãs hoje em dia dizem
que Constantino foi o primeiro imperador cristão, mas seu “cristianismo”
tinha motivação apenas política. É altamente duvidoso que ele realmente
aceitasse a doutrina cristã. Ele mandou matar um de seus filhos, além de
um sobrinho, seu cunhado e possivelmente uma de suas esposas. Ele
manteve seu título de alto sacerdote de uma religião pagã até o fim da
vida e só foi batizado em seu leito de morte.
11.2 – Os Dois Primeiros Terços da
trindade – O Concilio de Nicéia
A maioria dos bispos, pressionada por
Constantino, votou a favor da doutrina de Atanásio. Foi adotado um credo
que favorecia a teologia de Atanásio. Arius foi condenado e exilado.
Vários bispos foram embora antes da votação para evitar a controvérsia.
Jesus Cristo foi aprovado como sendo “uma única substância” com Deus
Pai. É significativo que até hoje as igrejas ortodoxas do leste e do
oeste discordem entre si quanto a esta doutrina, ainda conseqüência das
igrejas do oeste não terem tido nenhuma influência na “votação”.
Dois dos bispos que votaram a favor
de Arius também foram exilados e os escritos de Arius foram destruídos.
Constantino decretou que qualquer um que fosse apanhado com documentos
arianistas estaria sujeito à pena de morte. O credo de Nicéia declara:
“Creio em Um só Deus, Pai Onipotente,
Criador do céu e da terra e de todas as coisas visíveis e invisíveis. E
em Um só Senhor, Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus, gerado do Pai
antes de todas as coisas. Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de
Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai, por
quem todas as coisas foram feitas ...”
Mesmo com a adoção do Credo de
Nicéia, os problemas continuaram e, em poucos anos, a facção arianista
começou a recuperar o controle. Tornaram-se tão poderosos que
Constantino os reabilitou e denunciou o grupo de Atanásio. Arius e os
bispos que o apoiavam voltaram do exílio. Agora, Atanásio é que foi
banido. Quando Constantino morreu (depois de ser batizado por um bispo
arianista), seu filho restaurou a filosofia arianista e seus bispos e
condenou o grupo de Atanásio.
Nos anos seguintes, a disputa
política continuou, até que os arianistas abusaram de seu poder e foram
derrubados. A controvérsia político/religiosa causou violência e morte
generalizadas. Em 381 AD, o imperador Teodósio (um trinitarista)
convocou um concílio em Constantinopla. Apenas os bispos trinitaristas
foram convidados a participar. 150 bispos compareceram e votaram uma
alteração no Credo de Nicéia para incluir o espírito Santo como parte da
divindade. A doutrina da trindade era agora oficial para a Igreja e
também para o Estado. Os bispos dissidentes foram expulsos da Igreja e
excomungados.
11.3 - O Credo de Atanásio
Completa a Divindade Trina
O Credo (trinitário) de Atanásio foi
finalmente estabelecido (provavelmente) no século V. Não foi escrito por
Atanásio mas recebeu seu nome. Este é um trecho:
“Adoramos um só Deus em trindade ...
O Pai é Deus, o Filho é Deus, e o espírito Santo é Deus; e contudo eles
não são três deuses, mas um só Deus.”
Por volta do século IX, o credo já
estava estabelecido na Espanha, França e Alemanha. Tinha levado séculos
desde o tempo de Cristo para que a doutrina da trindade “pegasse”. A
política do governo e da Igreja foram as razões que levaram a trindade a
existir e se tornar a doutrina oficial da Igreja.
Como vimos, a doutrina trinitária
resultou da mistura de fraude, política, um imperador pagão e facções em
guerra que causaram mortes e derramamento de sangue.
11.4 - A trindade Cristã – Mais
Uma no Desfile de Trindades
Por que surgiu esse clamor para
elevar Jesus e o espírito Santo a posições iguais à do deus
judeu/cristão? Simplesmente porque o mundo pagão estava habituado a ter
“três deuses” ou “trindades” como divindades. A trindade satisfazia à
maioria de cristãos que tinha vindo de culturas pagãs. O cristianismo
não se livrou das trindades pagãs, ele as adotou assim como adotou
tantas outras tradições pagãs.
11.5 – Outras Trindades
O hinduísmo abraçou a divindade trina
de Brahma, deus da criação; Vishnu, deus da manutenção, e Siva, deus da
destruição. Uma das muitas trindades do Egito era Hórus, Ísis e Osíris.
Os fundadores da primitiva igreja cristã não tinham idéia de que o
conceito de trindade iria surgir, ser votado por políticos, imposto por
imperadores e um dia se tornaria parte integral do cristianismo moderno.
Não é nenhuma surpresa que tal conceito seja “difícil” de explicar.
Há um deus cristão ou três em um? A
maioria das igrejas cristãs apóia a doutrina da trindade, mas ainda há
algumas que rejeitam o ensinamento. Hoje em dia, temos a liberdade de
acreditar em uma possibilidade ou outra, mas corremos o risco de sermos
ridicularizados se negarmos a crença na trindade.
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