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A VERDADE

Acima de Tudo!

 

 

 

...todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo! I Cor 8:6

22 - Tem Base Bíblica a Crença Adventista das Duas Naturezas Simultâneas de Cristo?

Elpídio da Cruz Silva

 

A IASD, ao defender o dogma das duas naturezas simultâneas de Cristo, defende na realidade, um ensino genuinamente católico e não acrescenta nesta defesa que faz, nenhum elemento de originalidade. Simplesmente repete o que o catolicismo tem ensinado nos últimos 1800 anos na história do Cristianismo.

Apesar de estar historicamente definido que o referido dogma foi proposto pela Igreja Católica, a IASD, defende o mesmo dogma como se ele fizesse parte do ensino bíblico e no livro A trindade, o dogma das duas naturezas de Cristo é mostrado como sendo parte de uma suposta  "evolução" do espírito de Profecia em direção à idéia trinitariana de Deus.

Para refletir sobre este assunto, vou apresentar as idéias centrais do dogma que, foram propostas pelo Papa São Leão I, papa de Roma, em carta ao bispo Flaviano de Constantinopla no concílio de Calcedônia em 451.

"No concílio de Calcedônia (451) estabeleceu-se definitivamente a doutrina cristológica. Na primeira sessão leu-se a carta de Leão I, papa de Roma, ao bispo Flaviano de Constantinopla, na qual estabelecia que apesar das duas naturezas e substâncias na única pessoa de Cristo, não se verifica nenhuma mistura das duas naturezas, mas que cada uma atua em relação àquilo que lhe é próprio. Calcedônia fixou um símbolo que declara: 'Nós ensinamos e professamos um único e idêntico Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, completo quanto à divindade e completo quanto à humanidade em duas naturezas, inconfusas e intransmutadas (contra os monofisistas), inseparadas e indivisas (contra os nestorianos), já que a união das naturezas não suprimiu suas diferenças, mas que cada natureza conservou suas propriedades e uniu-se com a outra numa única pessoa e numa única hipóstase."  DUÉ, Andrea. Atlas Histórico do Cristianismo. Petrópolis: Vozes, 1999. p. 51

"A verdadeira doutrina fora magistralmente exposta, dois anos antes, pelo papa São Leão, numa carta que se tornaria célebre, dirigida ao Patriarca Flaviano. Referia-se aos seguintes pontos que continuam sendo o resumo da fé católica: 1) Em Jesus Cristo, há uma só pessoa, a pessoa do verbo encarnado em nossa natureza; 2) Nesta pessoa única do verbo, após a encarnação, há duas naturezas, a natureza divina e a humana, sem mistura e sem fusão possíveis; 3) Cada uma das naturezas mantém atividade própria, atividade que exerce em comunhão com a outra; 4) Em virtude da união substancial das duas naturezas, devemos atribuir só ao Verbo o que, em Cristo, pertence ao Filho de Deus e ao Filho do Homem."

"Ensinamos unanimemente que há um só e mesmo Filho, Nosso Senhor, perfeito em sua divindade e perfeito em sua humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, composto de alma racional e de corpo, consubstancial ao Pai, segundo a divindade e consubstancial a nós segundo a humanidade, semelhante a nós em tudo, exceto o pecado."  CRISTIANI, Monsenhor. Breve História das Heresias. São Paulo: Livraria Editora Flamboyant, 1962. p. 40, 41.

Nos dois textos que são apresentados, percebe-se claramente as premissas da doutrina da duas naturezas de Cristo.

1- A existência de uma única pessoa, a pessoa do Logos, do Verbo, Jesus Cristo.

2- A existência de duas naturezas, (dois corpos) uma divina e uma humana.

3- A separação completa entre as duas naturezas. A inexistência de união ou fusão entre uma natureza e outra. Cada natureza mantém seus atributos peculiares e não interfere e não recebe interferência da outra.

4- A natureza divina preserva sua essência ou seja, os atributos incomunicáveis da divindade.

5- A natureza humana é semelhante a que Adão possuía antes da queda. "...segundo a humanidade, semelhante a nós em tudo, exceto o pecado."

O que determinou o surgimento desta doutrina? Duas correntes diferentes de pensamento em que uma negava a humanidade e a outra negava a divindade de Jesus Cristo, e que pode ser resumida na seguinte proposição: "Se era Deus, não poderia sofrer, se sofreu, não era Deus."

Para resolver o problema que a proposição exposta acima sugere, foi então criada a doutrina das duas naturezas simultâneas de Cristo.

Devemos porém estar cientes que a referida doutrina foi formulada já na metade do 4º século depois de Cristo e neste momento a teologia cristã já está contaminada pela crença na imortabilidade da alma, que confessadamente e pelo próprio catolicismo, é uma herança do paganismo greco-romano.

E é pela crença na imortalidade da alma que foi possível a construção da doutrina das duas naturezas simultâneas de Cristo.

A doutrina da imortalidade da alma permitiu a construção de uma "teologia conciliadora" pela nascente Igreja Católica Apostólica Romana, teologia esta que, ao mesmo tempo, respondia aos que negavam a divindade e aos que negavam a humanidade de Cristo.

"De antemão podemos avançar o seguinte dado que parece ser inquestionável: Não pertence ao querigma fundamental do Novo Testamento o tema da imortalidade da alma. O Novo Testamento conhece e professa sua fé na ressurreição dos mortos. A filosofia grega, nomeadamente o platonismo, sob cuja influência esteve a jovem igreja missionária no mundo helênico, conhece a imortalidade da alma. Mas não conhece nem pode imaginar uma ressurreição. A reflexão na teologia cristã conciliando  os aut-aut com um et-et formulou a seguinte proposição: a alma é imortal. Depois da morte do justo, separada do corpo, ela é julgada por Deus e goza de sua presença até o fim do mundo quando será novamente re-unida ao corpo agora ressuscitado para com ele gozar eternamente da comunhão com Deus. A doutrina da imortalidade da alma dos gregos foi completada com a outra bíblica da ressurreição dos mortos. Com isso se afirma:

a- a morte não é total: atinge apenas o corpo do homem;

b- a ressurreição também não é total: atinge tão somente o corpo..."    BOFF, Leonardo. A Ressurreição de Cristo, A Nossa Ressurreição na Morte. Petrópolis: Vozes, 1986. págs. 66, 67.

Os pais da doutrina das duas naturezas simultâneas de Cristo confessam que ela só foi possível graças à herança herética dos gregos: a crença na imortalidade da alma.

Quando um adventista, que crê na mortalidade da alma, aceita que na cruz, houve apenas a morte da carne do Filho de Deus, ele simplesmente coloca um pé no espiritismo.

Os teólogos da Andrews quando sugerem uma "evolução" do Dom Profético em direção ao trinitarianismo em decorrência da presença das expressões "natureza divina" e "natureza humana" nos escritos da Sra. White, não percebem ou não querem perceber, que a profetisa da igreja remanescente, nunca coloca a união do divino e humano em Jesus, como alguma coisa que pudesse ser desfeita em algum momento.

Em Cristo, o divino e o humano se fundiram de forma irreversível, sendo impossível morrer uma parte e outra não.

A encarnação ocorreu dentro de uma lógica que é claramente apresentada tanto pela Bíblia quanto pelo espírito de Profecia: a lógica do auto-aniquilamento, auto-despojamento, auto-esvaziamento dos atributos da divindade.

"Quando Jesus fora despertado para enfrentar a tempestade estava em perfeita paz...Contudo não era na posse da força onipotente que Ele descansava...Esse poder depusera-o Ele, e diz: 'Eu nada posso de mim mesmo fazer coisa alguma.'...O poder que impôs silêncio à tempestade, foi o poder de Deus."  O Desejado de Todas as Nações, pág. 319.

Os escritos do Dom Profético nunca apresentam a idéia de um corpo espiritual escondido debaixo de um corpo carnal. O que ele, o Dom Profético, chama de natureza divina de Cristo é a origem divina de Nosso Senhor e nunca um corpo espiritual independente do corpo humano de Cristo que possa deste ser separado e não sofrer a morte plena que o Filho de Deus sofreu na cruz.

Para o espírito de Profecia, a pessoa divina de Cristo, cuja origem é perdida no tempo, fundiu-se com a humanidade por herança genética através da pessoa de Maria e agora como homem em toda sua plenitude, morre na cruz do calvário.

O que a pessoa de Cristo traz de divino da eternidade, é apenas Seu caráter irrepreensível e não seus atributos incomunicáveis de Filho de Deus.

"A Divindade não se tornou humana, e o humano não foi deificado pela fusão das duas naturezas."  Mensagens Escolhidas, vol. III, pág. 131.

Para a Igreja Católica não houve fusão, para o espírito de Profecia, a fusão é uma necessidade e necessidade que é satisfeita mediante o auto-aniquilamento de Nosso Senhor.

Quando Cristo se funde com a humanidade, Ele o faz sem os atributos incomunicáveis da divindade e por isso, a humanidade não pôde ser deificada e portanto continuou sendo mortal. A Divindade não se tornou humana e isto significa que Cristo não adquiriu o caráter corrupto do homem pecador mesmo carregando um corpo manchado por 4.000 anos de pecado, justamente porque seu caráter não foi construído aqui na terra, mas teve sua origem no céu antes de todas as coisas. O corpo de Cristo conheceu os efeitos do pecado, a mente de Cristo conheceu os efeitos do pecado, porém o caráter de Cristo jamais sofreu efeito algum do pecado.

É profundamente significativo que tanto a Bíblia como o  espírito de Profecia abominem a idéia de um Cristo com duas naturezas simultâneas e independentes. Isto foi assim colocado para os escolhidos não correrem o risco de serem enganados.

 

 

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